Existe sim uma expectativa sobre as coisas de sentir. Não que haja grande lógica nas lógicas pessoais, porque de serem pessoais já são arriscadas, desmerecíveis, inalcançáveis. Então melhor é sentar na beira da cama, talvez com a televisão ligada, talvez com um cigarro de muleta nos lábios, talvez com um caderno no colo rabiscado, um livro querido, uma pessoa dormindo nos lençóis. Talvez nada disso e fora de si. E dessas pequenas grandes coisas que nos assombram e nos adornam e nos encorajam, tiramos o sabor, seja qual for, de viver: entre pedras, entre manchas, entre ser-o-que-nunca-fomos. Isso não é ruim. É; como herança maldita, como falência das nossas rimas e versos, como a aprovação da ignorância em nós, como todos os dias enfrentar carros, largar o prato em cima da mesa, deixar a toalha molhada no chão, não abaixar a tampa do vaso. Acho que entederão.
Escrito por FERNANDA PORTO às 19h28
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